sábado, 16 de janeiro de 2016

O Presente

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Luquinhas se sentia apreensivo, na verdade, Luquinhas nem sabia o que era estar apreensivo, ele estava apenas com pressa, inquieto. Ele não estava com medo, nem curioso, tão pouco com fome ou vontade de comer ou ir ao banheiro. Luquinhas estava apreensivo porque ele queria comprar um presente e foi esse o motivo que tinha tirado ele de casa e o levará até o grande prédio divertido onde ele ia com os pais no domingo a tarde, só que hoje ele não estava com os pais e também não era domingo, era quinta a tarde, mas Luquinhas pouco se importava com aquilo. Sua unica preocupação era em achar o presente certo para seu amigo.
Quem estava preocupado, apreensivo e com medo eram os pais de Luquinhas, que choravam alguns quarteirões longe donde seu filho se encontravam. E eles tinham razão. O menino de 4 anos sairá de casa sozinho enquanto a mãe trabalhava e o pai estava tomando banho, a avó cochilava no sofá com a televisão ligada naquele filme que o avô gostava e por isso o mesmo tinha ido a cozinha fazer pipoca. Enquanto isso Luquinhas estava ocupado atravessando a rua na faixa como seus pais o ensinaram após olhar para os dois lados da rua. Luquinhas sabia o caminho até o grande prédio divertido facilmente, ele ia com os pais todo domingo a tarde e já estava acostumado a passar de debaixo da grande arvore com o tronco rachado e virar para o lado da casa engraçada de dois andares verde e rosa, combinação que Luquinhas achava divertidam depois era só caminhar mais um pouco e atravessar outra rua com outra faixa depois de ter olhado para os dois lados e você chegava nas portas de vidro do grande prédio divertido. O menino costumava ir todo domingo a tarde com seus pais, mas eles não eram a unica companhia, sempre iam com eles Milo, o amigo de Luquinhas. Milo era tímido e só gostava de conversar com Luquinhas, os dois brincavam muito juntos e se divertiam bastante e sempre estava ao lado de Luquinhas. Porém nessa quinta feira Milo não estava com Luquinhas, mas essa era a intenção do menino. Ele saiu sem ninguém da sua família perceber e até Milo não o viu deixando a casa após ter quebrado Frederico, seu porquinho de barro onde ele guardava suas preciosas moedas. Luquinhas não queria Milo por perto pois ele queria comprar o presente para o amigo, que estava de aniversario no dia seguinte e ele pegará todas as suas moedas e foi para o grande prédio divertido comprar um presente, assim como sua mãe fazia quando alguém estava de aniversario.
Agora Luquinhas andava pelos enormes corredores do local, subindo e descendo nas escadas engraçadas que iam e vinham sozinhas. Ele estava procurando algo especial para o amigo e ele sabia que ia encontrar ali.
Os pais de Luquinhas também estavam a procura, mas não era de presentes e sim do seu filho que havia desaparecido. Todos os familiares, amigos e vizinhos dos pais do Luquinhas haviam se reunido na casa deles. Todos iriam ajudar na busca pelo garoto, inclusive a policia já estava a procura do menino.
A mãe de Luquinhas, que tinha voltado correndo do trabalho e agora chorava nos ombros do pai de Luquinhas não queria perder outro filho. Já fora duro perder um ano atrás Murilo, o irmão mais velho de Luquinhas e para piorar era um dia antes do aniversario de Murilo. A mãe de Luquinhas queria que seu filho estivesse ali com ela, ela o amava tanto e faria qualquer coisa por ele e isso só a fazia chorar mais.
Luquinhas, que não estava a par de tudo que acontecia só por ele ter dado uma saidinha de casa, caminhava pelos vastos corredores do prédio grande e divertido, ele ainda estava apreensivo e ainda não sabia o que era apreensivo. Mas ele estava perto de encontrar o que ele tanto procurava, era um portão colorido e cheio de figuras sorrindo, dentro desse portão ficava uma enorme sala cheia de tudo que Luquinhas gostava e ele sabia que lá encontraria o presente para Milo. O problema é que ele não conseguia encontrar o portal e vagava pelo grande prédio e agora não tão divertido a procura do incrível portal. Luquinhas estava cansado e começava a sentir fome, mas não pensava em desistir, ele tinha que encontrar o presente para Milo. E quando ele virou mais uma vez naquele labirinto de corredores ele avistou o portal e correu para entrar naquele mundo dos sonhos.
No mesmo prédio grande e divertido estava um tio de Luquinhas, que tinha um bigode que coçava quando ele beijava Luquinhas e Luquinhas não gostava, mas gostava do tio. O tio estava apreensivo e nervoso, mas não estava com fome e sono, ele estava preocupado com o sobrinho que sumirá sem ninguém perceber. O tio de Luquinhas com o bigode que pinicava foi o primeiro a pensar que o menino poderia estar no shopping e correrá até ali. Mas pessoas vinham atrás, já que o lugar era grande e demoraria para procurar por tudo. O tio de Luquinhas entrou correndo pelas portas de vidro que minutos antes Luquinhas tinha passado, mas o tio do menino não sabia disso e continuava apreensivo e nervoso.
Já Luquinhas não estava mais apreensivo, ele havia encontrado o presente para Milo, um pequeno urso azul fofo. Luquinhas não sabia quanto custava o ursinho azul e fofo, era sempre sua mãe que pagava os presentes, mas Luquinhas achava que suas moedas dariam para comprar. Eram bastantes moedas, mas de um punhado, deveria ser o suficiente. Luquinhas encontrou uma vendedora e foi até ela. 
A mulher ficou surpresa quando Luquinhas a chamou, ela não sabia ainda que seu nome era Luquinhas, nem que ele havia saído de casa sozinho e que estava ali para comprar um presente. Mas ela adorava crianças e Luquinhas era lindo e fofo.
- Olá garotinho, como é seu nome? - Ela perguntou suavemente, abrindo um sorriso cheio de ferros que Luquinhas não sabia o que era, mas já havia visto nos dentes do seu primo Jorge também.
- Luquinhas. Eu quero comprar esse ursinho para dar de presente para meu amigo. - Disso Luquinhas, ele não era tímido e gostava de conversar.
- Onde estão seus pais? - Perguntou a moça curiosa, mas não apreensiva.
- Em casa. - Respondeu Luquinhas singelamente. A moça estranhou e seu sorriso foi diminuindo do rosto enquanto suas sobrancelhas se aproximavam.
- Em casa? Você está aqui sozinho? - Indagou ela, agora além de curiosa também estava preocupada.
- Sim, eu vim comprar um presente para Milo. - Falou Luquinhas levantando o ursinho para mostrar a moça e depois pegou do bolso o punhado de moeda que ele tirará de Frederico, seu porquinho de barro. - Isso aqui paga?
A mulher não teve tempo de responder, pois atrás dele ouve um grito e quando ela se virou assutada, um homem com bigode corria em direção a ela. O homem agarrou Luquinhas e o abraçou e o beijou. Luquinhas sentiu o bigode do seu tio no seu rosto e tentou se afastar, mas o tio de Luquinhas não o soltava.
- Me solta tio. - Disse Luquinhas empurrando o homem com bigode, as moedas haviam caído da sua mão, mas ele ainda segurava o ursinho azul e fofo. - Minhas moedas caíram tudo.
- Por que você saiu de casa? Estávamos tão preocupados. - E apreensivos, poderia ter citado o tio também, mas Luquinhas não entenderia, pois ele não sabia o significado de apreensivo.
- Vim comprar o presente para Milo, amanhã é seu aniversario. - Disse Luquinhas, agora no chão depois de tanto empurrar o tio para solta-lo. O tio que agora tinha lagrimas até no bigode não entendeu, ele não conhecia nenhum Milo, tão pouco alguém que fazia aniversario amanhã da família.
- Luquinhas, me diga, quem é Milo? - O tio estava curioso, mas Luquinhas não queria falar, Milo era tímido, não gostava que falassem dele para os outros.
- É meu amigo. - Sussurrou Luquinhas e apenas o tio que estava agachado ao lado do menino escutou, enquanto a vendedora que ainda estava ali vendo tudo, mas sem entender nada, não escutou. - Ele mora comigo, a gente brinca junto, depois que o Murilo foi embora. - Agora Luquinhas estava triste, ele sentia saudade de Murilo, seu irmão e não gostava de falar sobre aquilo. Enfim o tio de Luquinhas havia entendido tudo e mais lagrimas desciam pelo seu rosto já marcado com algumas rugas..
- Pegue o urso e vamos para casa, você já achou o presente. - O tio de Luquinhas que tinha o bigode que incomodava pegou Luquinhas no colo e se dirigiu ao caixa, com a mulher com ferro na boca em sua cola. Já Luquinhas ia no colo com o ursinho apertado em seus braços.
***
Luquinhas já estava na cama e sua mãe acabará de fechar a porta. Um dia havia passado desde que Luquinhas havia passeado sozinho pelo grande prédio divertido e achará o presente para Milo. Quando Luquinhas voltou para casa todo mundo quis abraçar ele, coisa que ele não entendeu, mas entenderia dali alguns anos. Agora era noite do dia seguinte e isso queria dizer que era aniversario de Milo. Luquinhas desceu da cama e se abaixou, o presente de Milo estava embaixo da sua cama, embrulhado e bem guardado. Luquinhas o pegou e levou até a cama que ficava ao seu lado. Era a cama de Murilo, mas agora Murilo não dormia mais ali e a cama pertencia a Milo, que dormia silenciosamente. Luquinhas tirou o ursinho azul e fofo da caixa de presente e colocou ao lado de Milo.
Luquinhas não sabia porque estava chorando, mas estava. Ele passou a mão pelo cabelo do amigo e disse:
- Feliz aniversario!


Gente, um ano atrás foi publicada a primeira postagem do blog. Hoje, um ano depois, muita coisa mudou e acho que tudo foi para melhor, houve baixas e coisas ruins, mas toda vez que superamos algo ruim nos tornamos melhores e é isso que eu quero para o blog, torna-lo cada vez melhor para vocês e para mim. Parabéns para mim, para o Zé2 e para vocês que leem o blog e Feliz Aniversario.

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